Madalena Martins, licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, é a autora da instalação artística urbana que está quase pronta no espaço público central da cidade de Famalicão, unindo os Paços do Concelho e a Praça D. Maria II, precisamente à estátua da rainha, fundadora do concelho. A obra de arte, denominada “Fio Condutor”, é um tributo à indústria têxtil e será inaugurada na tarde deste domingo, às 16H30, no decurso das cerimónias do 38.º aniversário de elevação de VN Famalicão a cidade.
O fio têxtil é o elemento plástico que constrói uma história, que começa com fios brancos a partir das árvores do jardim dos Paços do Concelho, «como se cada tronco fosse o suporte de um novelo, estável e enraizado na terra», explica a autora. A partir dali os fios encontram-se, cruzam-se e criam uma teia. «Ancorados em pontos que a rua nos oferece, moldam-se à sua arquitetura, criando um desenho irregular, mas coeso, leve mas seguro pela força da sua pluralidade».

Este enredo estrutural, «que a dada altura se tinge com uma cor vibrante e quente, sustenta um novo fio, que rompe o percurso de forma livre e criativa, carregado de luz e energia própria. Avança no mesmo sentido, mas com a curiosidade própria de quem procura novos caminhos», refere Madalena Martins.
Ao longo do percurso, que culminará na estátua de D. Maria II, o fio entrelaça-se em edifícios históricos, «penetra em casas, mergulha pelas copas das árvores e avança até, então, abraçar a escultura da Dona Maria II, figura histórica que também ela impulsionou a cidade e a fez progredir». E é nas mãos da rainha «que a teia de fios termina, a tricotar uma nova peça, feita de história, tradição e descoberta», descreve Madalena Martins, que explora o espaço público como palco de uma narrativa visual efémera, com criações marcadas pela sustentabilidade ambiental onde desperdícios de indústrias, empresas ou museus são transformados em novas peças.

O “Fio Condutor” é uma homenagem do concelho famalicense, nomeadamente, à sua história no têxtil e tem o selo da sustentabilidade ambiental da Riopele. Foi da histórica têxtil famalicense, com sede na freguesia de Pousada de Saramagos, que saíram quase três toneladas de resíduos geradas no processo de tecelagem, as chamadas “ourelas falsas de tear”, que foram depois selecionadas e reutilizadas na construção da instalação artística.
O presidente da Riopele explica que as «ourelas falsas consistem em resíduos gerados no processo de tecelagem, compostos por matérias-primas diversificadas» presentes nas coleções de tecidos da empresa, que tem implementado um programa para se tornar operacionalmente neutra em carbono até 2027.
José Alexandre Oliveira reporta que o contributo da empresa no processo de criação da instalação artística não se ficou pela cedência deste desperdício industrial, já que parte dos materiais foram submetidos a tingimento de baixo impacto ambiental na tinturaria da empresa.
Sobre a associação da Riopele a esta aposta do município famalicense na exploração artística da sua identidade têxtil, José Alexandre Oliveira fala numa parceria «de grande significado que não só celebra a história da indústria têxtil na região, mas também fortalece os laços da empresa com a comunidade local», reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e cultural da cidade. «É uma forma de contribuirmos ativamente para preservar a identidade histórica de Famalicão e honrar o seu legado», diz o empresário
Recorde-se que este “Fio Condutor”, que poderá ser visto na sua plenitude a partir deste domingo, vai permanecer no centro urbano de Famalicão até ao mês outubro.
Para o presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, esta é uma aposta do município na qualificação do espaço urbano e da sua marca através da exploração artística da sua identidade, neste caso a identidade têxtil. «A atratividade e a imagem de uma cidade constrói-se a partir de fatores de diferenciação que potenciem de forma singular a identidade, a cultura e as principais forças de um território. Este olhar único, diferenciador, qualificador, será potenciado através da linguagem artística criativa, singular, diferenciadora».

Madalena Martins é licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Em 2010, depois do prémio do POPs da Fundação de Serralves (Projectos Originais Portugueses) e de ter passado dois anos pela Incubadora de Indústrias Criativas INSerralves, focou-se nos seus próprios projetos explorando um universo dedicado ao design e ao imaginário da cultura portuguesa, reinterpretando histórias e materiais, devolvendo emoções em forma de objetos ou instalações em espaço público.






