
A governação da cidade, com base em dados concretos e no digital, chamada de Smart Cities, esteve em destaque no podcast “Mobi Boom”, do Expresso. Uma rubrica que o Jornal dedica semanalmente à mobilidade, inovação e qualidade de vida nas cidades.
Desta vez, o convidado foi Vítor Moreira, diretor municipal da autarquia, que falou deste método como caminho para «garantir mais qualidade de vida às pessoas». E a metodologia passa pela transição de uma governação baseada em perceções para uma gestão sustentada em dados.
Na entrevista, adiantou que o município consegue monitorizar em tempo real fluxos de trânsito, estado do estacionamento, perdas de água da rede pública, etc. «Hoje conseguimos ter dados que nos permitem trabalhar em cima da realidade» e tomar decisões mais rápidas e eficazes, realçou. No caso, por exemplo, da mobilidade, os sensores conseguem indicar a taxa de ocupação e a rotatividade nos parques de estacionamento.
Para Vítor Moreira há seis áreas fundamentais que interferem no que se pretende como cidade inteligente: mobilidade, economia, ambiente, modos de vida, pessoas e governança. Deu outro exemplo: ao ser o terceiro concelho mais exportador do país, a forte atividade industrial gera desafios de mobilidade complexos. Os dados de 2023 revelam que se realizaram cerca de 75 milhões de viagens dentro do concelho; de fora do concelho cerca de 23 milhões de deslocações (saídas e entradas). Em ambos os casos, 90% em viatura própria. Para tentar contrariar esta tendência, recordou que a rede pública de transportes aumentou seis vezes e subiu a fasquia do número de árvores plantadas (100 mil até 2030).
Vítor Moreira falou, também, da transparência como muito importante para a governação de um território, materializada através do ‘Observatório Famalicão’, uma plataforma pública – https://b-smart.famalicao.pt/observatoriofamalicao/ – que disponibiliza milhares de dados demográficos e de mobilidade a qualquer cidadão.
Relativamente ao futuro das smart cities, Vítor Moreira referiu que a tecnologia vai ser importante para todas, mas as áreas de aposta podem diversificar conforme os interesses de cada uma e até o seu posicionamento geográfico. E há cidades, adiantou, a trabalhar em conjunto a questão dos territórios inteligentes. É o caso de Famalicão, Barcelos, Esposende, Vieira do Minho, Vila Verde, Amares e Terras do Bouro estão a partilhar experiências.






