Famalicão: Exposição de fotografia retrata a implantação da democracia

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A Casa da Memória Viva (CMV) organizou uma exposição de fotografia, intitulada “E Depois do Adeus – Fotografias com História” que está patente, desde sábado e até dia 13, no “Espaço Memória” da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Médio Ave, situada na Alameda D. Maria II.

A mostra é do fotojornalista Marques Valentim. Famalicão é a primeira cidade do Norte a acolher a exposição, por iniciativa da Casa da Memória Viva (CMV). Reúne meia centena de fotografias que documentam episódios e protagonistas marcantes da implantação da Democracia em Portugal. Anteriormente já foi vista em Albufeira, Portimão, Santarém e Castelo de Vide.

Marques Valentim nasceu em 1949, em Cascais, e tem o curso de fotografia e cinema dos Serviços de Cartografia do Exército. Após o 25 de Abril enveredou pelo fotojornalismo, com uma carreira de 40 anos por vários jornais. É o autor da fotografia escolhida pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 Abril para homenagear Salgueiro Maia, neste ano.

Na inauguração de “E Depois do Adeus – Fotografias com História”, realizada ao fim da tarde das passada sexta-feira, participaram, entre outros, o presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Mário Passos; o vereador da Cultura da autarquia famalicense, Pedro Oliveira; a presidente da Junta da União de Freguesias de Vila Nova de Famalicão e Calendário, Estela Veloso; e o presidente do conselho de administração da CCAMMA, Germano Abreu.

Carlos Magno, convidado para a inauguração, fez uma palestra sobre a importância da fotografia na historiografia do 25 de Abril, referindo que o trabalho de Marques Valentim «compara com o melhor do fotojornalismo português do séc. XX», apesar de ser «injustamente pouco conhecido».

O comentador referiu, como exemplos, uma foto de Salgueiro Maia, que figura no cartaz da mostra, com um capacete usado pelos operadores de carros de combate. Foi tirada pouco depois do 25 de Novembro de 1975 na Escola Prática de Santarém, aquando de uma visita oficial do Chefe do Estado-Maior do Exército de então, Ramalho Eanes. A outra é do marechal António de Spínola com o seu monóculo, trajando à civil e empunhando um pingalim. Era ele então Presidente da República.

Na ocasião, o presidente da direção da CMV, Carlos de Sousa, anunciou que esta exposição precede uma outra, prevista para o próximo ano, e que se centrará nos acontecimentos vividos em Vila Nova de Famalicão nos primeiros dias de agosto de 1975, de contestação à governação político-militar do país de então. Esta exposição resulta, explicou, da «doação de uma coleção de alto valor historiográfico e cultural para Famalicão» por um fotojornalista português que «entre nós esteve em serviço, entre 4 e 8 de agosto de 1975, dia e noite», para a agência norte-americana Associated Press.

A exposição “E Depois do Adeus – Fotografias com História”, com apoio do Município de Famalicão e do Crédito agrícola Mútuo do Médio Ave, pode ser vista até ao dia 13, entre as 10 e as 18 horas, com exceção do dia 11, em que estará fechada. Nos dias 12 e 13 de outubro, às 11 horas, haverá uma visita guiada pelo autor das fotos.

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