“Sempre dissemos que esta evolução das medidas de desconfinamento tinha que ir sendo acompanhada de uma monitorização da evolução da pandemia (…) e perante esta evolução na área Metropolitana de Lisboa o Governo entendeu adotar” várias medidas, afirmou António Costa no final da reunião de Conselho de Ministros, em que ficaram definidas as medidas para a próxima fase de desconfinamento, que arrancou hoje.
O governante anunciou um reforço da vigilância epidemiológica em dois tipos de atividade que concentram “um elevado número de focos de infeção”: a construção civil e o trabalho temporário, designadamente o caso do foco identificado mais recentemente no concelho de Azambuja, num conjunto de trabalhadores de uma plataforma logística através de empresas de trabalho temporário.
António Costa disse, na altura, estar convencido de que, realizando com “maior intensidade” esse trabalho, poderia “dominar” o crescimento de focos na região de Lisboa e Vale do Tejo.
Hoje, em comunicado, a federação lembra que o setor da construção e atividades imobiliárias manteve em funcionamento desde o início da pandemia a maioria das empresas (91%), “expondo os trabalhadores à obrigação de trabalhar todos os dias em condições de elevada exposição ao contágio” da covid-19.
“Neste setor de elevada precariedade e subcontratação, de baixos salários e falta permanente de condições de segurança e higiene, os trabalhadores têm continuado a exercer a sua atividade, na maioria dos casos com total ausência de equipamentos de proteção individual e higiene (máscaras, luvas, gel desinfetante) e de garantia da distância física mínima indicada pelas autoridades de saúde, quer nas obras, quer nos transportes privados das empresas”, denuncia em comunicado.
Denuncia ainda, além das “más condições de trabalho”, despedimentos que diz serem “ilícitos, caducidades antecipadas de contratos a termo e falta de pagamento de salários e subsídios, que têm originado diversos conflitos e uma intervenção sindical constante”.
A construção civil é um setor que emprega cerca de 300 mil trabalhadores.