Resultado: As horas de trabalho impostas aos estudantes ultrapassam as dos pais. “As crianças estão a trabalhar oito horas por dia, o que significa mais de 60 horas por semana”, criticou Eduardo Sá em declarações à Lusa, lembrando a importância de ter tempo para ser criança e adolescente.
O psicólogo alertou para o perigo de a escola se transformar numa versão moderna do trabalho infantil do século XIX, garantindo que “Escola a mais faz mal às crianças”.
Outra das perguntas que foi colocada aos cerca de 3.200 professores e outros tantos pais foi de quem era a responsabilidade pelo desempenho e sucesso académico dos alunos.
Para os professores, eles são os principais responsáveis, enquanto os pais atribuem essa responsabilidade aos alunos.
As opiniões também divergem quando se fala nos objetivos da escola: os professores colocam em primeiro lugar a formação cívica (65%), os pais têm como prioridade a transmissão de conhecimento científico e tecnológico (64%). Ambos concordam apenas que o aspeto menos relevante é o desenvolvimento físico.
Finalmente, os docentes entendem que a escola deve formar os alunos, enquanto a maioria dos pais diz preferir uma escola que os prepare para os exames e para o mercado de trabalho.
Para Eduardo Sá, as escolas não podem produzir “crianças de aviário”. Quando isso acontece, deve “fechar” para reflexão e balanço: “Mais importante do que tentar repetir é aprender a perguntar. Mais indispensável do que tirar as dúvidas é uma criança agarrar-se a elas para aprender a pensar”, escreveu o psicólogo no texto introdutório do estudo hoje apresentado em Lisboa.
O estudo coordenado pela professora Conceição Andrade e Silva foi apresentado hoje em Lisboa num encontro que contou com a presença de responsáveis do Conselho Nacional de Educação, Associação Nacional de Direção Geral da Educação, representantes dos diretores das escolas públicas e privadas assim como com a Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP).
No evento foi ainda lançada a 3.ª edição da Escola Amiga da Criança, uma iniciativa conjunta LeYa/CONFAP que visa distinguir as escolas com projetos não curriculares que apostam no desenvolvimento da criança.